terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sobre a brevidade da vida (Sêneca)


                                                                                                                 Luciane Lapidário

          A pós-modernidade é marcada por uma ênfase ao individualismo, cultuando o corpo, buscando a saúde perfeita e valores que indicam somente a busca da felicidade a qualquer preço. Isto nada mais é que uma maneira de assegurar a eternidade, a infinitude.
          O ser humano, mais do que em outras épocas tem uma concepção e age como se não fosse morrer. Busca realização profissional, pessoal, status e não se preocupa tanto com verdadeira sabedoria, parafraseando o filósofo Sócrates, uma vida não examinada não é digna de ser vivida.          
          O texto de Sêneca, poeta e filósofo estóico latino, nos traz à luz a reflexão sobre o valor do tempo na vida, se esta será breve ou longa. E nos faz pensar a respeito do que realmente compõe a brevidade e a longevidade da nossa existência. Sêneca diz nos primeiros versos: “O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores.” (1:4)
            O que torna nossa a vida breve é como a conduzimos, e ainda alerta:
“Vivestes como se fosseis viver para sempre, nunca vos ocorreu que sois frágeis, não notais quanto tempo já passou; vós o perdeis, como se ele fosse farto e abundante, ao passo que aquele mesmo dia que é dado ao serviço de outro homem ou outra coisa seja o último.” (3:4)
O filósofo observa que há muitos que desejam levar uma vida de meditação e ócio quando estiverem livres de suas obrigações, aos cinqüenta ou sessenta anos, porém estes, não podem garantir que terão uma vida longa, não podem seguramente saber por quanto tempo ainda viverão, pois estão reservando apenas “as sobras da vida” o que deveriam ter realizado na juventude, e que “quão tarde começas a viver, quando já é hora de deixar de fazê-lo.” (3:5)
Mas o que torna uma vida breve? De acordo com Sêneca:

7:1 - Conto entre os piores os que nunca estão disponíveis para nada, senão para o vinho e os prazeres sensuais, pois não há ocupação mais vergonhosa. Outros, embora se prendam à imagem vazia da glória, contudo erram honradamente; podes me enumerar os avarentos, os turbulentos, ou os que se entregam a ódios e guerras injustas: todos estes pecam de uma maneira mais viril. Mas os que se entregam à gula e aos prazeres sensuais ostentam uma degradação (2) desonrosa. Examina todo o tempo deles: verifica quanto gastam em cálculos avaros, quanto em preparar emboscadas, quanto temendo-as, quanto bajulando, quanto sendo bajulados; e quanto tempo ocupam em compromissos judiciários, seus ou alheios, ou com banquetes - que já se tornaram mesmo uma obrigação: verás que nem seus bens, nem seus males, os deixam respirar.

Este tempo perdido, não será restituído, a vida fluirá silenciosamente e não será prolongada e para aquele que é ocupado passará rapidamente. (8:5). Para Sêneca o tempo é um bem precioso.
A melhor maneira de aproveitar a vida é não ter grandes preocupações, não desperdiçar, negligenciar ou esbanjar, assim a vida será suficiente, mesmo que curta, “portanto, quando lhe vier o último dia, o sábio não hesitará em caminhar para a morte com passo firme.” (11:2 )
A prática das virtudes, a luta contra as paixões, o amor e principalmente o saber viver, mas também morrer é que leva a uma vida de tranqüilidade, esta é a sabedoria do bem viver, “eles são os únicos a viver, pois, não apenas administram bem sua vida, mas acrescentam-lhe toda a eternidade.” (14:1)
Para Sêneca, viver o instante, o momento, pois o futuro é duvidoso, dele nada se pode saber. O agora é o que importa, porém é este instante que apontará o curso, deve ser conduzido pelas ações sábias, amorosas e virtuosas que  desvelarão o que realmente importa para viver mesmo que brevemente,  mas que seja viver intensamente.
Concluímos com as profundas palavras deste filósofo e poeta que “deve-se aprender a viver por toda a vida, e, por mais que tu talvez te espantes, a vida  toda é um aprender a morrer.” (7:4)

Texto:http://filosofiaemusopublico.blogspot.com/2011/05/e-book-seneca-sobre-brevidade-da-vida.html
                                                            




2 comentários:

  1. Mto bom o texto, acho que é isso aí, mtas vezes a sociedade faz a gente pensar no ideal de vida perfeita e corpo perfeito, na verdade a biblia nos diz que nosso corpo é templo do espirito santo, devemos nos cuidar, pelo menos é o que creio, mas cuidar da alma é fundamental, e é aonde nos confundimos o que é mais importante na nossa vida, a busca por uma vida de satisfação sexual? ...de dinheiro?.., sempre me lembro do texto biblico que Deus pergunta, esta noite ti pedirão a tua alma, e é ai que devemos parar e pensar, o que andamos fazendo da nossa vida...se Deus pedir a sua alma HJ, pra onde ela vai?

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