segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SEXO.... Palavras de C.S LEWIS


C.S.Lewis  
A castidade é a menos popular das virtudes cristãs. Porém, não existe escapatória. A regra cristã é clara: “Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total.” Isso é tão difícil de aceitar, e tão contrário a nossos instintos, que das duas, uma: ou o cristianismo está errado ou o nosso instinto sexual, tal como é hoje em dia, se encontra deturpado. E claro que, sendo cristão, penso que foi o instinto que se deturpou. (…)
Dizem que o sexo se tornou um problema grave porque não se falava sobre o assunto. Nos últimos vinte anos, não foi isso que aconteceu. Todo o dia se fala sobre o assunto, mas ele continua sendo um problema. Se o silêncio fosse a causa do problema, a conversa seria a solução. Mas não foi. Acho que é exatamente o contrário. Acredito que a raça humana só passou a tratar do tema com discrição porque ele já tinha se tornado um problema. Os modernos sempre dizem que “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”. Com isso, podem estar querendo dizer duas coisas.
Uma delas é que “não há nada de errado no fato de a raça humana se reproduzir de um determinado modo, nem no fato de esse modo gerar prazer”. Se é isso o que têm em mente, estão cobertos de razão. O cristianismo diz a mesma coisa. O problema não está nem na coisa em si, nem no prazer. Os velhos pregadores cristãos diziam que, se o homem não tivesse sofrido a queda, o prazer sexual não seria menor do que é hoje, mas maior. Bem sei que alguns cristãos de mente tacanha dizem por aí que o cristianismo julga o sexo, o corpo e o prazer como coisas intrinsecamente más. Mas estão errados. O cristianismo é praticamente a única entre as grandes religiões que aprova por completo o corpo — que acredita que a matéria é uma coisa boa, que o próprio Deus tomou a forma humana e que um novo tipo de corpo nos será dado no Paraíso e será parte essencial da nossa felicidade, beleza e energia. O cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião; e quase todos os grandes poemas de amor foram compostos por cristãos. Se alguém disser que o sexo, em si, é algo mau, o cristianismo refuta essa afirmativa instantaneamente. Mas é claro que, quando as pessoas dizem “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”, elas podem estar querendo dizer que “o estado em que se encontra nosso instinto sexual não é algo de que devemos sentir vergonha”.
Se é isso que querem dizer, penso que estão erradas. Penso que temos todos os motivos do mundo para sentir vergonha. Não há nada de vergonhoso em apreciar o alimento, mas deveríamos nos cobrir de vergonha se metade das pessoas fizesse do alimento o maior interesse de sua vida e passasse os dias a espiar figuras de pratos, com água na boca e estalando os lábios. Não digo que você ou eu sejamos individualmente responsáveis pela situação atual. Nossos ancestrais nos legaram organismos que, sob este aspecto, são pervertidos; e crescemos cercados de propaganda a favor da libertinagem. Existem pessoas que querem manter o nosso instinto sexual em chamas para lucrar com ele; afinal de contas, não há dúvida de que um homem obcecado é um homem com baixa resistência à publicidade. Deus conhece nossa situação; ele não nos julgará como se não tivéssemos dificuldades a superar. O que realmente importa é a sinceridade e a firme vontade de superá-las.
Extraído do livro Cristianismo Puro e Simples (Editora Martins Fontes)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

ARREPENDIMENTOS COMUNS DAS PESSOAS NO FIM DA VIDA



A enfermeira australiana Bronnie Ware causou impacto mundo afora com a entrevista que concedeu ao jornal britânico The Guardian, no início de 2012. Ela falou sobre a sua experiência de trabalho com pessoas em estado terminal, base que lhe serviu para escrever o livro “The top five regrets of the dying”, onde lista os cinco maiores arrependimentos das pessoas à beira da morte.

Segundo Bronnie, os pacientes atingem uma clareza de raciocínio bem acima do normal quando aceitam o fato de lhes restar pouco tempo de vida. Nesta condição, eles demonstram percepções muito semelhantes sobre o que deveriam ter feito para valorizar melhor a existência, mas, lamentavelmente, deixaram de fazer.

Na entrevista, ela resumiu os cinco principais arrependimentos:

1. “Eu gostaria que não tivesse me faltado coragem para viver a vida que eu queria, em vez de simplesmente corresponder àquilo que os outros esperavam de mim.”
“Este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim, e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realiza nem metade dos seus sonhos e tem de morrer sabendo que isso acontece por causa de suas próprias decisões. A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até a gente deixar de tê-la.”

2. “Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.”
“Eu ouvi isso de todo paciente masculino que tratei. Eles sentiam falta de ter vivido mais a juventude dos filhos e a companhia de suas esposas. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram carreira profissional. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo da vida no ambiente de trabalho.”

3. “Eu queria ter sentido coragem para expressar meus sentimentos.”
“Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, essa gente se acomodou em uma existência medíocre e nunca se tornou quem realmente era. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ao ressentimento que carregaram em virtude disso.”

4. “Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.”
“Frequentemente eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até chegarem a suas últimas semanas de vida. Muitos ficaram tão envolvidos em seu próprio cotidiano que deixaram amizades de ouro para trás ao longo dos anos. Tiveram arrependimentos profundos sobre não ter dedicado tempo e esforço às amizades. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo.”

5. “Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz.”
“Este é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem no fim da vida que a felicidade é construída por escolhas. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso ‘conforto’ com as coisas que são familiares. O medo da mudança fez com que eles fingissem para os outros e para si mesmos que estavam contentes quando, no fundo, ansiavam por rir de verdade e aproveitar coisas simples, e até bobas.”

Eu, particularmente, acho que estes arrependimentos apresentam elementos universais e atemporais. Em menor ou maior intensidade, a depender da trajetória de cada um, devem ser comuns a todas as pessoas em qualquer parte do mundo e a qualquer tempo. Entretanto, na cultura predominante atualmente, onde a perene necessidade de consumo para sobrevivência se transformou em meta suprema da existência, desconfio que eles se intensifiquem demais.

Enquanto há fôlego, porém, há oportunidade para reverter todo e qualquer desperdício de vida. O interessante é que o desejo de vida plena, paradoxalmente, se acende quando a gente toma consciência da própria mortalidade. Assim, se torna essencial sempre manter a clareza de que, no fim da nossa jornada nesta terra, quando precisarmos nos despir de tudo, só poderemos carregar o que couber no coração.


Autor: Marco André Regis

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

MISSÕES


"MISSÕES": doar Bíblia para os que não sabem ler e deixá-los passando fome.... 

A FÉ, se não tiver as OBRAS, é morta em si mesma. Tiago 2:17





quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

AS SEM-RAZÕES DO AMOR



Carlos Drummond de Andrade


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.




                   
Hearts (The Valentines Day Video) from Moist Creation on Vimeo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

U2: Música e Espiritualidade




Suas letras se ouvem nos púlpitos. Sua música tocando em santuários. Seus vídeos são vistos nas escolas dominicais.
O Rabino Steve Lebow de Kol Emeth em Marietta, nos Estados Unidos disse: "Eu tenho dado aulas sobre rock and roll e espiritualidade, e quando você procura alguma banda que faça mais alusões bíblicas e temas espirituais em suas músicas, U2 surge como a número 1. "
Outro pastor,Jake Hill, começou em setembro a dar aulas de "teologia do U2" em uma igreja em Atlanta, chamada Saint James United Methodist Church, em setembro de chamada de teologia do U2. Ela atrai cerca de 15 pessoas nas noites de quarta-feira.
"A maioria de suas músicas têm uma mensagem de unidade, estamos todos juntos nisso", disse Hill.
Hill passou a fazer isso após um dos outros pastores de Saint james lhe mostrar o livro: "Temos que carregar uns aos outros: O Evangelho segundo o U2", que entre outras coisas mostra a tendência espiritual do U2 e referências à fé na sua música. O livro foi escrito pelo professor de Inglês na Univesidade Evangélica de Baylor, no Texas Greg Garret, que nos primeiros anos de formação do U2 escrevia para uma revista de música, e naquela época entrevistou a banda. Hoje em dia Greg se afastou da fé, mas continua um grande fã da banda irlandesa e disse que uma pessoa pode sim ouvir as músicas da banda sem se preocupar com seu contexto espiritual e mensagens de esperança, fé, entre outras coisas e ainda afirma que: "eles são uma banda de rock que trabalham muito bem nas questões de paz e justiça, mas eu não falo sobre o assunto: cristianismo", embora ele considere que ignorar o cristianismo é não considerar de onde vêm a paz e a justiça.
Todos sabem que Bono, Edge, Larry e Adam em sua juventude fizeram parte de um grupo de adolescentes carismáticos conservadores na Irlanda, e Garret conta que se separou deste grupo após não concordar que eles poderiam ser roqueiros e ao mesmo tempo cristãos. Após algum tempo a banda deixou para trás a religião organizada, mas jamais abandonou a espiritualidade ou a fé.
A música "40" é uma citação clara do salmo 40 e o último album do U2 "No Line on The Horizon" está repleto de imagens bíblicas, como em "White as Snow", que faz referência a um cordeiro "branco como a neve". Estas e várias outras canções da banda se referem especificamente a Jesus, Deus e também falhas da igreja.
Greg Garret disse que escritores de revistas de rock e blogs notaram que a espiritualidade é um dos pontos altos na música do U2, e isso reflete em uma recente pesquisa realizada entre jovens americanos onde muitos afirmam que apesar da grande rejeição a religiões organizadas, mas são definitivamente espiritualizados.
Igrejas que usaram o U2 para atrair as pessoas:
A Igreja Episcopal criou um serviço chamado um U2charist, em que a música da banda tocada e dada como oferenda para a erradicação da pobreza e da doença. Outras igrejas também adotaram o serviço.
Primeira Igreja Metodista Unida em Pensacola, Estados Unidos, realizou uma U2charist em agosto, com direito a sorteio de dois convites para o concerto em Georgia Dome na semana passada. O evento que normalmente recebe cerca de 200 pessoas, aumentou para 400, como disse o reverendo Geoffrey Lentz.
Será que vale a pena?
"É. Acho que a música do U2, principalmente as letras, são perfeitas para o contexto da Igreja e do culto ", disse o reverendo Lentz, queplaneja ir com mais integrantes da igreja em mais alguns concertos da tour 360 do U2.

Escute esta música e medite em sua letra: "GRACE".... Musicas que exalam espiritualidade... 



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CONFISSÕES...

     
Paulo Brabo

      Sou uma farsa. Sou um patife, um mentiroso e um canalha. Sou também um santo em muitos sentidos, mas isso apenas distorce a essência da mensagem que eu deveria estar transmitindo. Jesus evidentemente não veio para os santos, os intocados, os poupados, os intocáveis, os que merecem uma categoria à parte. Sua paixão é pelos mistos, os imundos, os misturados, os irremediáveis, os caídos, os violados, os atormentados, os não-resolvidos. "Somente a parte de mim não contaminada pelo meu vício de comportar-me como um santinho pode beneficiar-se do impulso libertador da mensagem de Jesus".
      Eu, por minha vez, não tinha nada que estar passando a imagem de um santo. Minha tarefa é transmitir a marca de Cristo, não a imagem de santo, e, definitivamente, não é a mesma coisa. Em primeiro lugar, a imagem do santo é tão rasa que qualquer canalha pode passá-la para os outros, mesmo os canalhas menos sutis, como eu. Segundo, nada está mais distante da essência da mensagem de Cristo que gerar nos outros a impressão de que é preciso ser santo em primeiro lugar para poder beneficiar-se adequadamente da gentil onipresença do Reino da graça. Na verdade, parte do escândalo da mensagem do evangelho está na ousadia de afirmar que Jesus não tem coisa alguma a dizer ao que não precisa dele.
     "Os sãos não precisam de médico" não quer apenas dizer, como estamos acostumados a pensar, que todos são doentes e por isso precisam de Jesus; também quer dizer que as partes de nós que creem não precisar de intervenção, ou agem como se não precisassem, estão irremediavelmente perdidas.


Retirado do livro: "A Bacia das Almas".

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

SOBRE A MORTE E O MORRER




Rubem Alves


                                O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
                                          um ser humano? O que e quem a define?

Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...” 

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...” 

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.