sábado, 7 de abril de 2012

PORQUE A CRUZ?


JOHN STOTT


Um emblema cristão universalmente aceito teria, obviamente, de falar de Jesus Cristo, mas as possibilidades eram enormes. Os cristãos podiam ter escolhido a manjedoura em que o menino Jesus foi colocado, ou a banca de carpinteiro em que ele trabalhou em sua juventude em Nazaré, dignificando o trabalho manual, ou o barco do qual ele ensinava as multidões na Galileia, ou a toalha que ele usou ao lavar os pés dos apóstolos, a qual teria evidenciado o seu espírito de humilde serviço.
Também havia a pedra que, tendo sido removida da entrada do túmulo de José, teria proclamado a ressurreição. Outras possibilidades seriam o trono, símbolo de soberania divina, o qual João, em sua visão, viu que Jesus partilhava, ou a pomba, símbolo do Espírito Santo enviado do céu no dia de Pentecoste. Qualquer desses sete símbolos teria sido apropriado para indicar um aspecto do ministério do Senhor.
Contudo, ao contrário, o símbolo escolhido foi uma simples cruz. Seus dois braços já simbolizavam, desde a remota antiguidade, os eixos entre o céu e a terra. Mas a escolha dos cristãos possuía uma explicação mais específica. Desejavam comemorar, como centro da compreensão que tinham de Jesus, não o seu nascimento nem a sua juventude, nem o seu ensino nem o seu serviço, nem a sua ressurreição nem o seu Reino, nem a sua dádiva do Espírito, mas a sua morte, a sua crucificação.

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