quinta-feira, 31 de maio de 2012

(CONFISSÕES) ...Liberdade...

Felippe Ramos

          Tenho aprendido a olhar com outros olhos o mundo. Estes que um dia estavam quase tampados por uma religiosidade disfarçada de espiritualidade. Esta religiosidade que me impedia de ver e apreciar aquilo que a vida me proporciona de bom. A partir do momento que os seus olhos se abrem, tudo ganha uma nova forma, o mundo se torna diferente, a vida ganha mais sentido. Você passa a valorizar aquilo que de fato tem valor, a se importar com aquilo que vale a pena importar. Com os olhos abertos, você se sente diferente, passa a pensar de uma nova maneira. Alguns, os religiosos, não entendem, mas não precisa se explicar, a vida é curta para justificações. Aliás, ela é semelhante a neblina que aparece por um pouco e depois se dissipa (Tg 4:14), por isso, continuo, prossigo rumo aquilo que consigo enxergar.
          É impressionante o poder da religiosidade. Aos poucos ela o torna orgulhoso, legalista, "perfeito", detentor das respostas e da verdade, um ser superior a qualquer outro que não segue o sistema.  Ela é cheia dos "não pode". Você não pode questionar, não pode apreciar coisas fora do sistema, não pode viver daquela forma. Ela nos deixa cegos, sem falar na incoerência da expressão muitas vezes pregadas: "Ele nos fez livres".  E no momento que você sai, escapa, ela te ameaça com a imagem de um deus irado que vai te enviar para um lugar de trevas e fogos. Enche suas vítimas de medos e temores, uma forma de os manter presos. 
              Viver é ser livre, e liberdade, não é estar preso a sistemas humanos. A liberdade não nos obriga a amar, ela nos encoraja a fazer isso. Ela não nos obriga a seguir o caminho, ela nos mostra por onde caminhar. Ela não nos obriga a servir um deus por causa da sua ira e castigo, ela nos apresenta o exemplo de um deus amoroso que se importa com o ser humano. Todos deveriam ser livres, abrir os olhos, enxergar por si próprio e caminhar sozinhos. 
          
          
          
          

     


terça-feira, 29 de maio de 2012

MOMENTOS EM QUE AS PALAVRAS SÃO DESNECESSÁRIAS

Publicado no PAVABLOG

“O fantástico da vida é estar com alguém que saiba fazer de um pequeno instante um grande momento…” (Desconhecido)







sexta-feira, 18 de maio de 2012

INSTANTES



Se eu pudesse novamente viver a minha vida, 
na próxima trataria de cometer mais erros. 
Não tentaria ser tão perfeito, 
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido. 
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. 
Seria menos higiênico. Correria mais riscos, 
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, 
subiria mais montanhas, nadaria mais rios. 
Iria a mais lugares onde nunca fui, 
tomaria mais sorvetes e menos lentilha, 
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. 
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata 
e profundamente cada minuto de sua vida; 
claro que tive momentos de alegria. 
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente 
de ter bons momentos. 
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos; 
não percam o agora. 
Eu era um daqueles que nunca ia 
a parte alguma sem um termômetro, 
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e, 
se voltasse a viver, viajaria mais leve. 
Se eu pudesse voltar a viver, 
começaria a andar descalço no começo da primavera 
e continuaria assim até o fim do outono. 
Daria mais voltas na minha rua, 
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, 
se tivesse outra vez uma vida pela frente. 
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo...

Autoria: Alguns atribuem a Jorge Luiz Borges, outros a Don Herold....

terça-feira, 15 de maio de 2012

EM NOME DA JUSTIÇA



Por Felippe Ramos



Música do compositor e cantor João Alexandre


Enquanto a violência acabar com o povão da baixada, e quem sabe tudo disser que não sabe de nada; Enquanto os salários morrerem de velho nas filas, e os homens banirem as leis ao invés de cumpri-las; Enquanto a doença tomar o lugar da saúde, e quem prometeu ser do povo mudar de atitude; Enquanto os bilhetes correrem debaixo da mesa, e a honra dos nobres ceder seu lugar à esperteza.

Não tem jeito não.

Só com muito amor a gente muda esse país, só o amor de Deus pra nossa gente ser feliz. Nós os filhos Seus temos que unir as nossas mãos, em nome da justiça, por obras de justiça. Quem conhece a Deus não pode ouvir e se calar, tem que ser profeta e sua bandeira levantar, transformar o mundo é uma questão de compromisso, é muito mais e tudo isso.
Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado, e em Nome de Deus se deixar os feridos de lado;
Enquanto o pecado ainda for tão somente um pecado, vivido, sentido, embutido, espremido e pensado;
Enquanto se canta e se dança de olhos fechados, tem gente morrendo de fome por todos os lados
O Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive, não. Pois Deus se revela, se envolve, resolve e revive. Não tem jeito não, não tem jeito não.


João Alexandre

sexta-feira, 11 de maio de 2012

NÃO SOIS DEUSES, HOMENS É QUE SOIS



Publicado no site: http://edrenekivitz.com/blog/

A partir do momento em que você tem um “eu”, surge a possibilidade de colocá-lo em primeiro lugar, de querer ser o centro – de querer, na verdade, ser Deus. Foi esse o pecado de Satanás; e esse também o pecado que ele ensinou à raça humana. Algumas pessoas pensam que a queda do homem está relacionada ao sexo, mas isso é um erro. (O livro de Gênesis na verdade sugere que a depravação da nossa natureza sexual foi resultado da queda, e não sua causa). O que Satanás colocou na cabeça dos nossos ancestrais mais remotos foi a ideia de que eles poderiam ser “como deuses” – que poderiam depender de si mesmos como se tivessem sido seus próprios criadores. “Sejam seus próprios mestres”, dizia ele, “Inventem o tipo de felicidade que vocês desejam para si mesmos, fora de Deus”. E foi dessa tentativa desesperada que surgiu praticamente tudo o que se relaciona ao que chamamos de história humana: dinheiro, pobreza, ambições, guerras, prostituição, classes, impérios, escravidão. A longa e terrível história do homem à procura de algo diferente de Deus para lhe trazer felicidade.


[C. S. Lewis, Mero Cristianismo. São Paulo: Martins Fontes, 2005]

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Oportunidade






“Existe uma maré nos casos dos homens a qual,
levando à inundação, nos encabeça à fortuna.
Mas omitidos, a viagem das vidas deles
está restrita em sombras e misérias.
Em um mar tão cheio estamos agora a flutuar.
E nós devemos pegar a correnteza quando nos for útil,
ou perder as aventuras á nossa frente."


William Shakespeare


Esta citação de Shakespeare nos diz que a vida é curta e as oportunidades são raras. Por isso, temos que ficar de olhos e protegê-las; não só as oportunidades de sucesso, mas as oportunidades de rir, de ver o encanto do mundo e de viver [...]
Por isso, agora é a hora de brilhar, a hora em que nossos sonhos estão ao nosso alcance, e as possibilidade são vastas. Agora é hora para todos nós nos tornarmos as pessoas que sempre sonhamos ser... Este é o seu mundo. Você está aqui. Você é importante. O mundo está te esperando [...] Aproveite as oportunidades que a vida oferece...


"One Tree Hill"

terça-feira, 8 de maio de 2012

CONFISSÕES [2]

    
Paulo Brabo - Extraído do livro: "A Bacia das Almas"

   Outro dia o filho que não tenho, e que já é grandinho o bastante para fazer este tipo de pergunta, perguntou-me olhando para o mundo, se existe esperança.
    Era época de Natal e ele queria que minha resposta o enchesse de inspiração e de bons sentimentos; uma resposta que o capacitasse a abraçar o futuro com olhos brilhantes e pés otimistas. Queria, em outras palavras, uma mensagem.
    - Esta, meu filho, é uma resposta que palavras não podem dar - menti o menos que pude, e invoquei não sei de onde, um sorriso.
    Quando ele for mais velho direi que não, que não há nenhuma esperança. Andaremos lado a lado por um caminho no meio da tarde e confessarei que não enxergo esperança no mundo, nas religiões e instituições e, ainda menos, em mim mesmo. Direi que as belas mensagens otimistas que os homens trocam em ocasiões solenes são distrações que não chegam  nem perto de alterar a dura malha da realidade. As pessoas não se tornarão mais generosas, menos mesquinhas e mais iluminadas.... [...]
    Ele me olhará nos olhos e, sem dizer nada, abrirá um sorriso, porque verá, que embora não exista esperança, embora eu esteja convicto de que não há, cultivo ainda sim alguma.
    Se tudo der certo, com o passar dos anos ele aprenderá a  guardar a esperança como eu: como quem tem vergonha de permanecer criança e continuar olhando com fascinação para a chama de uma vela que qualquer um pode apagar.....

quarta-feira, 2 de maio de 2012

GUSTAVO LIMA E VOCÊ



Texto de Lucas Lujan

O Brasil é a sexta maior economia do mundo. Nós ultrapassamos o Reino Unido. Nosso PIB é de US$ 2,48 trilhões, enquanto o do Reino Unido é de US$ 2, 26 trilhões.

Algumas pessoas receberam essa notícia, no fim de 2011, com entusiasmo. Quando o banco alemão WestLB noticiou o ranking das maiores economias do mundo, muitos brasileiros abriram sorriso de orelha a orelha. Contudo, eu não. Recebi a notícia com desconfiança e lamento.

Na minha opinião, Weber acertou quando teorizou sobre a autonomia das esferas da realidade. Economia e política são esferas distintas e autônomas, e aqui está a razão do meu lamento. Enquanto a esfera econômica brasileira ascende, a política se desgasta e degrada sistematicamente.

O Brasil tem uma das piores distribuições de renda do mundo. Para mostrar a gravidade em detalhes, alguns dados: segundo o mais recente relatório sobre Desenvolvimento Humano divulgado pela ONU, o Brasil é o décimo pior entre os cento e vinte e seis países considerados para a realização do relatório. Nós temos a terceira pior distribuição de rendas da região latino americana e caribenha. Piores que nós, apenas a Bolívia e o Haiti.

É de corar as bochechas de qualquer pessoa de bom senso, afinal, estamos falando da sexta maior economia do mundo!

Distribuição de renda é problema político. De que adianta uma economia em ascensão e uma política desse nível? Poderia escrever sobre vários outros problemas políticos do Brasil, mas não considero necessário para o meu argumento, uma vez que a má distribuição de renda está intimamente ligada com a pobreza e a fome – e não há problemas políticos mais relevantes.

O Brasil atual enriquece, mas apenas o bolso dos que já eram ricos. A distribuição de renda brasileira é a denúncia de que o pobre continua pobre, quando não mais pobre do que era. O acesso das classes mais baixas à linhas de crédito, que permitem adesão de bens de consumo, é apenas uma cortina de fumaça para distrair a massa do real problema político brasileiro.

Mas essa cortina de fumaça não tem razões econômicas apenas. Há ainda outros que ajudam a mantê-la, para parecer que está tudo bem: Michel Teló, Gustavo Lima e tantos outros milhões de imbecis que cantam “me dá um tchu, me dá um tchá”. Nesse esquema idiota e idiotizante, tipo pão e circo, os brasileiros vão festejando sua própria miséria política e humana.

O que acontece com os brasileiros? O que aconteceu com aqueles que lutaram contra a ditadura militar? O que aconteceu com aqueles que lutaram pelo voto direto? Que tipo de apatia se abateu sobre esse povo que já derrubou sistemas políticos perversos? O Brasil tem um dos piores índices de corrupção política do mundo!

Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a igreja, mas só disse isso porque não conhecia a igreja evangélica brasileira. Se conhecesse, teria hesitado. Os evangélicos seguem emudecidos diante da injustiça social que testemunham. Em terras tupiniquins as portas o inferno prevaleceram em forma de silêncio, descaso e insensibilidade contra a igreja que se diz de Jesus.

Os evangélicos confundem as coisas, acham que quando a Bíblia diz que Deus criou todas as coisas, era sobre o Cachoeira que ela estava falando! Essa leitura literal da Bíblia sempre atrapalhando tudo...

O Brasil é uma vergonha política. E o nosso povo dá de ombros para isso, inventando alguma nova coreografia ridícula que envolve bunda e rebolado ... Nossa, nossa, assim você me mata. Nos mata.

Lidero, junto com mais alguns amigos, um pequeno grupo de jovens numa igreja evangélica chamada Betesda. Desde o começo do ano, os líderes desse grupo acharam relevante discutir política em nossas reuniões, pois além de ser ano eleitoral, é necessário dar início ao debate político entre jovens, ainda mais os que estão dentro de uma igreja. A ideia ganhou o nome de Política JB (Jovens Betesda). Reservamos um sábado por mês para esse programa. Desejávamos que o debate inflamasse o grupo e o colocasse em movimento político de engajamento social... Mas não aconteceu. Dos sessenta jovens que frequentam normalmente nossas reuniões semanais, menos de trinta aparecem no Politica JB, provavelmente por considerarem irrelevante discutir política, ainda mais dentro da igreja. O que é isso, senão um retrato fiel da mentalidade política brasileira?

Na América Latina, nosso país só ganha da Bolívia e do Haiti em justa distribuição de renda, e tem uma cambada de brasileiros descerebrados que acham que política não é importante!

Minha indignação é tanta, que já tive vontade de desistir algumas vezes. Mas graças aos meus bons amigos politizados continuo – alguns dentro do grupo de jovens que lidero, organizando doações de sangue; outros fora da igreja, lutando por movimentos de reforma política. Eles ainda me inflamam e me colocam em movimento.

Existe uma expectativa que até 2015 o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo, ultrapassando a França – onde crianças de pais ricos e pobres frequentam as mesmas escolas, enquanto no Brasil, a educação pública está entre as piores do mundo...

Intitulei o texto de “Gustavo Lima e você” para que as pessoas lessem. Se eu colocasse algo como “política e economia no cenário brasileiro” meu e-mail iria direto para a lixeira da maioria. Desculpe se não é o seu caso, não quis te nivelar por baixo... Foi uma atitude desesperada.

Lucas Lujan - @lucaslujan