terça-feira, 8 de maio de 2012

CONFISSÕES [2]

    
Paulo Brabo - Extraído do livro: "A Bacia das Almas"

   Outro dia o filho que não tenho, e que já é grandinho o bastante para fazer este tipo de pergunta, perguntou-me olhando para o mundo, se existe esperança.
    Era época de Natal e ele queria que minha resposta o enchesse de inspiração e de bons sentimentos; uma resposta que o capacitasse a abraçar o futuro com olhos brilhantes e pés otimistas. Queria, em outras palavras, uma mensagem.
    - Esta, meu filho, é uma resposta que palavras não podem dar - menti o menos que pude, e invoquei não sei de onde, um sorriso.
    Quando ele for mais velho direi que não, que não há nenhuma esperança. Andaremos lado a lado por um caminho no meio da tarde e confessarei que não enxergo esperança no mundo, nas religiões e instituições e, ainda menos, em mim mesmo. Direi que as belas mensagens otimistas que os homens trocam em ocasiões solenes são distrações que não chegam  nem perto de alterar a dura malha da realidade. As pessoas não se tornarão mais generosas, menos mesquinhas e mais iluminadas.... [...]
    Ele me olhará nos olhos e, sem dizer nada, abrirá um sorriso, porque verá, que embora não exista esperança, embora eu esteja convicto de que não há, cultivo ainda sim alguma.
    Se tudo der certo, com o passar dos anos ele aprenderá a  guardar a esperança como eu: como quem tem vergonha de permanecer criança e continuar olhando com fascinação para a chama de uma vela que qualquer um pode apagar.....

2 comentários:

  1. '...e, sem dizer nada, abrirá um sorriso, porque verá, que embora não exista esperança, embora eu esteja convicto de que não há, cultivo ainda sim alguma'

    Paulo Brabo sabe das coisas...

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    1. Sim... com certeza... Belas e profundas meditações em seu livro...

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