quarta-feira, 18 de julho de 2012

EXEMPLO




"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

Nelson Mandela

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dia do Rock / Bob Dylan (Saving Grace)


Por Felippe Ramos

Em comemoração ao dia internacional do Rock, vai uma linda canção de um dos precursores do Rock and Roll,  BOB DYLAN.


SAVING GRACE 

Se você encontrá-Lo em seu coração, posso ser perdoado?
Acho que eu devo-Lhe algum tipo de desculpa.
Eu escapei da morte tantas vezes, eu sei que estou vivendo somente
Pela graça salvadora que está sobre mim.

A esta altura eu pensei que já estaria dormindo
Em uma caixa de madeira para toda a eternidade.
Minha fé me mantém vivo, mas eu ainda choro
Pela graça salvadora que paira sobre mim.

Bem, há a morte da vida, depois vem a ressurreição,
Onde eu for bem recebido,  é onde eu vou estar.
Eu coloquei toda minha confiança nele, única proteção
É a graça salvadora que paira sobre mim.

Bem, a luz brilhante do diabo, pode ser mais deslumbrante,
Mas a busca pelo amor, que não é nada mais do que vaidade.
Enquanto eu olho ao redor deste mundo tudo o que eu encontro
É a graça salvadora que paira sobre mim.

Os ímpios não conhecem a paz e você apenas não pode fingir,
Há apenas uma estrada e leva ao Calvário.
As vezes começa desanimador, mas eu sei que eu vou conseguir
Pela graça salvadora que está sobre mim.

Bob Dylan

Versão coral







quarta-feira, 11 de julho de 2012

TEMPO




O tempo voa e não percebemos, quando damos conta do que já passou e das experiências que vivenciamos, enxergamos a dimensão da velocidade da vida. Passa tão rápido... outro dia mesmo estávamos planejando o futuro, de repente estávamos vivendo aquele futuro, e sem perceber, aquele futuro se tornou passado.

Não perdemos tempo em recordar as lembranças do passado e sempre que surge uma oportunidade nos diálogos e nas rodas de amigos, fazemos questão de relembrar aqueles momentos marcantes da vida, das fases que passamos, daquilo que nos fez felizes, de fatos e coisas que deixaram uma marca em nós. Momentos nostálgicos, mas que nos final, nos lembra de como o tempo passa rápido.

Por isso é importante aproveitarmos cada momento, cada fase da vida, cada oportunidade que bate em nossa porta. A vida esta presa ao tempo e se o tempo voa, a vida também. Ela é semelhante à neblina, aparece por um pouco e depois se dissipa (Tg 4:14). Isso não vai fazer nossa vida passar mais devagar ou o tempo se atrasar, porém, nas reminiscências das fases que vivenciamos, deixará em nós a sensação de dever cumprido na missão de viver.

Felippe Ramos do Nascimento

quinta-feira, 5 de julho de 2012

SOLIDÃO AMIGA


Rubem Alves
A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…
Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.
Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.
Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.
Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga… Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:
“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“