segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"Uma pessoa é uma pessoa por intermédio da outra"



Uma pessoa é uma pessoa por intermédio da outra"

   [...] Em nosso weltanschauung africano, nossa visão de mundo, temos algo chamado ubuntu. É muito difícil passar esta expressão para outras línguas, mas poderíamos traduzi-la dizendo: "uma pessoa é uma pessoa por intermédio da outra"  Precisamos de outros seres humanos para aprendermos a ser humanos, pois ninguém vem ao mundo totalmente formado. Não sabemos como falar, andar, pensar ou comer como seres humanos a não ser que aprendêssemos como fazer essas coisas com outros seres humanos. Para nós, o ser humano solitário é quase uma contradição.
    Ubuntu é a essência do ser humano. Ele fala de como a minha humanidade é alcançada e associada à de vocês de modo insolúvel. Esta palavra diz, não como diz Descartes, "Penso logo existo", mas "Existo porque pertenço". Preciso de outros seres humanos para ser humano. O ser humano completamente autossuficiente é sub-humano. Posso ser eu só porque você é completamente você. Eu existo porque nós somos, pois somos feitos para a condição de estarmos juntos, para a família. Somos feitos para a complementariedade. Somos criados para uma rede delicada de relacionamentos, de interdependência com os nossos companheiros seres humanos, com o restante da criação
    Eu tenho dons que você não tem, e você tem dons que eu não tenho. Somos diferentes para entender as necessidades uns dos outros. Ser humano é ser dependente. Ubuntu fala de atributos espirituais como generosidade, hospitalidade, compaixão, dedicação, partilha. Você pode ser rico em posses materiais, mas ainda assim não tem ubuntu. Esse conceito fala de como as pessoas são mais importantes que os objetos, os lucros, as posses materiais. Ele fala sobre o valor intrínseco das pessoas como não dependentes de coisas alheias, como condição social, raça, credo, gênero ou grandes feitos [...]

Desmond Tutu

    

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